Dicas para você que pretende morar fora

Como já mencionei no post anterior, eu era uma concursada pública com quase dez anos de carreira, cansada e estressada, quando resolvi largar tudo e seguir meu sonho de morar fora. Esta ideia pairava meus pensamentos desde 2011, quando terminei a faculdade de Relações Internacionais, e cuja responsabilidade que me prendia cinco dias por semana à cidade de Tubarão-SC, deixou de existir. Àquela época, cheguei a pesquisar destinos e programas de intercâmbio, mas uma promoção no trabalho, um tanto quanto inesperada, roubou a cena. Agora que eu havia acabado de ser promovida não poderia abandonar o barco, certo? Depende. Nunca saberei se foi a decisão mais acertada, mas ela me proporcionou, anos depois, me aventurar por aí com serenidade e pés no chão.

Foi no final de 2016, logo após ter voltado deslumbrada de uma viagem de férias à iluminada Las Vegas, que tudo mudou. Nesse meio tempo, tinha acabado de terminar um noivado de dois anos, e decidi tomar de volta as rédeas da minha vida e parar de viver no moroso piloto automático. Comecei a refletir sobre como seria a vida dos meus sonhos, o que eu precisava de qualquer jeito realizar antes de morrer e o que me fazia realmente feliz. Sem demoras, retomei minhas pesquisas sobre intercâmbio, cidadania italiana e vida no exterior. Aí sim começou minha jornada.

Morar Fora - Planejamento
Antes viajar, aproveite as dicas abaixo para elaborar um bom planejamento

Planejamento

Foi um ano inteiro de planejamento. No início eu não sabia o que eu iria fazer ou para onde iria. As possibilidades se apresentavam todas tentadoras à minha frente, como aqueles lindos docinhos de casamento que você não sabe qual atacar primeiro. Sem dúvida eram muitas as opções e as variáveis. Seria um intercâmbio para estudos ou para trabalho? Em que área eu iria atuar? O que estudaria? Faria uma pós-graduação ou outra faculdade? Como seria viver em um lugar com clima desértico ou em outro com chuva quase todos os dias? Será que aproveitaria uma temporada trabalhando em Cruzeiros tanto quanto aproveitei viajar oito dias de férias a bordo de um navio? Quanto tempo levaria para aprender o idioma nativo? Quais eram os depoimentos de estrangeiros que passaram por esta experiência?

Enquanto eu respondia a todas as questões que apareciam como balões em minha mente e ia eliminando um por um, fui me organizando financeiramente, o que considero a parte essencial deste processo para quem quer morar fora. Assim, economizei onde pude, parei de comprar o superficial e vendi o que não me era mais necessário (organizei até um brechó de roupas usadas na minha casa). Somente após ter uma quantia que me garantisse passar fora um ano sem trabalhar é que eu me senti segura para procurar as agências de intercâmbio e fechar meu pacote. Um ano foi um prazo bastante seguro, na minha opinião. Afinal, segurança financeira sempre foi um dos meus valores. Acredito que seis meses de reserva sejam o suficiente para que você inicie sua jornada sem dores de cabeça.

Destino: Irlanda

Novamente prezei pela segurança, e por isso preferi fechar o pacote com uma agência especializada. Afinal, vale a pena pagar um pouquinho a mais se você puder, e ter o suporte e know-how de quem já entende do assunto.

Dessa forma, após conversar muito com a agente de intercâmbios, o destino escolhido foi a Irlanda, e o objetivo do programa, o de melhorar meu inglês. Apesar de já ter feito nove anos de curso de inglês no Brasil, ele estava bem enferrujado. Além disso, a Irlanda possui um programa que viabiliza que o estudante trabalhe 4 horas por dia ou 20 horas semanais. Como resultado, eu poderia estudar e trabalhar na ilha por até dois anos. O valor do investimento inicial era metade de cuja quantia era necessária para ir para a Austrália (minha segunda opção). Ao mesmo tempo, não era preciso emitir visto antes da chegada no país. E certamente, o fato de poder viajar para os outros países europeus próximos à ilha, a um baixo custo, foi bastante atrativo.

Preparativos para a viagem

Contratado então o pacote de seis meses de curso de inglês na Ilha Esmeralda, era hora de preparar a documentação e o psicológico. Comecei aos poucos a falar da viagem para meus amigos mais próximos e para minha família (presenteei minha mãe com uma linda cachorrinha para que fosse acostumando com minha ausência). Renovei todos os meus documentos, mandei traduzir para o inglês meus diplomas de graduação e pós-graduação e solicitei à universidade cópia da ementa do curso e de meu histórico escolar, em caso de possível equiparação de Diplomas.

Por conseguinte, pedi ao meu antigo chefe que redigisse para mim uma carta de recomendação e a assinasse. Aproveitei para passar meu Linkedin para o inglês e atualizei meu currículo em ambos os idiomas.

Mais Preparativos

Assinei uma procuração de plenos poderes para que meu pai pudesse resolver as coisas para mim enquanto eu estivesse fora; providenciei cartões de crédito internacionais; e, aos poucos, comprei moeda estrangeira para comprovar os € 3.000 necessários e solicitados ao entrar na Irlanda. Contratei um seguro-viagem e outro seguro saúde para ficar tranquila em casos de emergência (melhor prevenir do que remediar, certo?). Entrei em grupos de brasileiros na Irlanda, através do WhatsApp e do Facebook, e troquei ideias com muita gente. Essas pessoas, por sua vez, me deram dicas sobre o que levar na mala, quais as melhores regiões para morar, quanto era o custo de vida médio mensal, quais os melhores sites para procura de emprego e de moradia, onde encontrar produtos e restaurantes brasileiros, entre muitas outras informações compartilhadas.

Quando a data da viagem estava próxima, vendi meu carro, aluguei meu apartamento e, por fim, tirei as férias remanescentes do trabalho. Também organizei festas de despedida e aproveitei cada segundo com meus amigos e familiares, pois sabia que seriam muito importantes para aguentar a saudade que viria. Nada ficou sem resolver e me antecipei em tudo o que pude para que, quando chegasse em terra estrangeira, já estivesse parcialmente familiarizada com o que iria encontrar.

Também pretende morar fora?

Se você também pensa em fazer um intercâmbio ou morar fora, sugiro que siga meus passos, começando pela organização financeira, imprescindível para que você continue tendo suas noites de sono tranquilas de onde estiver. Vi muita gente passando dificuldade por não ter planejado sua viagem com propriedade. E outra dica que vale ressaltar é: contrate um seguro-saúde, pois uma única consulta de emergência nos hospitais públicos da Irlanda custavam €380 para estrangeiros.

No mais, tome como exemplo meus passos citados acima. E para concluir, siga com pensamento positivo e confiante no seu destino, porque garanto que isso vai fazer toda a diferença quando você estiver fora sem conhecer nada e nem ninguém, sem falar a língua do local e se sentindo um passarinho fora do ninho — e com frio, se estiver na Irlanda. Lembre que tudo isso é passageiro. Logo você fará amizades que levará para a vida, conhecerá diversos lugares e escolherá seus preferidos, e encontrará um emprego que lhe divirta. Então estará em grupos das redes sociais ou escrevendo artigos em sites, dando dicas para os que estão na mesma situação em que você esteve um dia.

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